Rogério Martins - Sócio-Diretor
da Persona Consultoria & Eventos - Palestrante
“Sem levar em consideração
seu cargo dentro da empresa ou experiência,
sua tarefa número um sempre será atrair,
satisfazer e preservar clientes. E todos
têm clientes.”
Esta frase de Paul R. Timm extraída
do livro “50 idéias poderosas
para manter clientes”, nos remete a
uma reflexão fundamental: o cliente
sempre tem razão? Neste momento de
grandes transformações no relacionamento
entre empresas e clientes pensar e discutir
sobre este paradigma é altamente relevante
para a sobrevivência das relações
comerciais. Há aqueles que defendem
integralmente que sim, o cliente sempre tem
razão. Porém, na outra ponta
há os radicais do não. Em meio
a tudo isso temos a turma do “depende”,
que vem crescendo e trazendo uma visão
mais ponderada sobre este assunto.
Para compreender melhor esta questão é fundamental
lembrar como tudo começou. A década
de 90 é considerada um marco na difusão
do conceito e prática da dedicação
total ao cliente. Foi nesta época
que surgiu a idéia de que o cliente é rei.
Ou seja, o cliente sempre tem razão.
Os serviços de atendimento, regras
e direitos do consumidor e outras ações
foram criadas para garantir um melhor atendimento.
Muitas empresas se desdobraram para atender
a qualquer custo o cliente. Algumas tiveram
prejuízo, outras até faliram.
Confundiram atender bem com satisfazer todas
as necessidades do cliente, mesmo quando
estas não fossem benéficas
para a própria empresa.
A padronização do atendimento
também veio nesta passagem. O erro
de alguns foi exatamente perder a personalização.
Nesta balada surgiu o atendimento “robotizado”.
Aquele onde o atendente repete frases decoradas
e muitas vezes sem perceber a real necessidade
do cliente.
Felizmente o mercado vem amadurecendo. Os
clientes estão mais exigentes e mais
informados. Por outro lado, as empresas estão
mais sensíveis e atentas a estas transformações.
Porém, esta constatação é insuficiente
em si, como afirma Jacques Horovitz, em “Qualidade
de Serviço – A batalha pela
conquista do cliente”: A percepção
da qualidade varia de um cliente para outro,
e não é a mesma para o comprador
e fornecedor. Ademais, a qualidade de um
serviço será percebida de maneira
diferente se este for novo ou amplamente
difundido, se o cliente o estiver descobrindo
ou se for um usuário experiente.
O fato é que a pergunta inicial sobre
o cliente ter sempre razão ou não é,
atualmente, uma questão de ponto de
vista. O cliente muitas vezes, mesmo sem
ter razão, acredita que está certo
e, portanto, tem sim razão. Porém,
quando a razão do cliente conflita
com os interesses, valores e a razão
da empresa não haverá acordo
ou satisfação de qualquer parte
envolvida.
É preciso respeitar os direitos do
cliente, mas também os princípios
que regem a organização. Se
isto não ocorrer a empresa quebra.
Atender os anseios do cliente a qualquer
custo nunca será um bom negócio.
A melhor estratégia comercial é aquela
onde todos ganham. Segundo William Ury, especialista
em negociação e co-autor do
livro “Como Chegar ao Sim – A
negociação de acordos sem concessões”,
qualquer método de negociação
pode ser julgado imparcialmente por três
critérios: deve produzir um acordo
sensato, se houver possibilidade de acordo;
deve ser eficiente; e deve aprimorar, ou,
pelo menos, não prejudicar o relacionamento
entre as partes.
Diante disso, vale refletir sobre os valores
fundamentais que regem seu negócio.
Até que ponto a empresa está preparada
para atender os diversos tipos de clientes
e produzir relacionamentos duradouros. De
que forma os funcionários estão
sendo treinados e preparados técnica
e comportamentalmente para lidar com este
novo perfil de clientela. Em que você acredita:
o cliente sempre tem razão ou não?
Lembre-se: nem sempre o cliente terá razão,
mas poderá acreditar seriamente que
sim. Portanto, cabe a você estabelecer
um processo de elucidação para
gerar um acordo sensato, eficiente e que
possa gerar possibilidade de novos negócios.
Como fazer? Dois passos são fundamentais.
O primeiro e mais importante é ter
claramente definidos seus valores, princípios
e até onde poderá chegar
no relacionamento com o cliente. Isso será sua
referência, tanto para a empresa,
quanto para si mesmo. E seja firme na defesa
destes princípios.
O segundo passo é conhecer seu cliente.
Quanto mais informações você possuir
a respeito de seus clientes melhor será sua
negociação. Terá mais
condições de atender suas
expectativas e até mesmo recusar
uma negociação que seja negativa
para qualquer das partes.
Por fim, vale pensar sobre uma frase que
foi estampada no editorial do The Wall Street
Journal, em 1992: “Você pode
demitir seus clientes”. Sucesso.
ATENÇÃO
Para divulgar este artigo,
mantenha
a autoria
|
|