Vejo empresas
que confundem "cliente" com "prospect" – ou
seja um "talvez futuro cliente".
E com isso, fazem para um "prospect" tudo
o que deveriam, de fato, fazer para o seu "cliente".
Tratam um "possível futuro cliente" muito
melhor do que um atual e concreto cliente.
Vamos deixar claro que cliente é aquele
que já compra de mim. Cliente é aquele
que dentre outras marcas, escolheu a minha. Dentre
outras empresas concorrentes, escolheu a minha.
Esse sim é meu "cliente"! Um "futuro
cliente" poderá ou não ser
um cliente.
Mas o que vejo são empresas que simplesmente "desprezam" seus
atuais e bons clientes dirigindo toda a energia
e mesmo recursos para a conquista de novos clientes – esquecendo-se
dos atuais ou fazendo pouco para os atuais. E
daí, é claro, acabam perdendo os
seu atuais e verdadeiros clientes. Vejo agências
de publicidade dando toda a energia e criatividade
para conquistar uma nova conta, ao mesmo tempo
em que dedicam-se pouco na busca de novas alternativas
de comunicação e sucesso para os
atuais clientes. Vejo consultores fazendo verdadeiros
malabarismos para conquistar novos clientes,
ao mesmo tempo em que deixam seus atuais clientes
insatisfeitos com uma prestação
de serviços pobre e descontinuada. Vejo
distribuidores e atacadistas investindo tempo
e recursos na conquista de um novo ponto-de-venda
enquanto nada ou pouco fazem para os atuais pontos-de-venda
que já são seus clientes. Vejo
bancos forçando seus gerentes na busca
de novas contas, visitando "futuros possíveis
clientes" enquanto os atuais clientes estão
insatisfeitos pelo atendimento prestado. Vejo
revendas de veículos atendendo maravilhosamente
bem um "possível futuro cliente" e
dando péssimo atendimento, atenção
e assistência técnica aos atuais
possuidores de veículos das suas marcas.
Vejo hotéis dando benefícios e
incentivos a "possíveis futuros clientes" ao
mesmo tempo em que nada oferecem de vantagem
aos clientes fiéis e assíduos que
estão a todo momento freqüentando
o seu hotel. Vejo corretores de seguros que desmancham-se
em atenção para conquistar novos
clientes enquanto simplesmente desaparecem da
vida dos atuais clientes....
E os exemplos podem ser dados às mancheias.
Um dia destes saí no mercado com vendedor
de um atacadista. Cada vez que ele passava defronte
a um ponto-de-venda que ainda não era
seu cliente ele exclamava: "- Ainda vou
virar este cliente para mim. Já ofereci
tudo a ele! E quando chegávamos a um cliente
que já era seu ele dizia: "- Este
cliente é muito chato! Ele vive pedindo
coisas. Quer um atendimento especial. A única
vantagem deste cliente é que ele compra
muito!" (sic)
Logo em seguida paramos defronte a um "prospect" ou "possível
novo cliente" e esse vendedor ofereceu a
ele muito mais do que o outro velho cliente estava
pedindo para ... "continuar comprando muito...".
Chamei a atenção do vendedor para
esse fato e ele me respondeu que seu chefe o
avaliava pelo "número de contas ou
de clientes novos que ele conquistava" e
não pela satisfação dos
atuais clientes.
Novamente fiquei pensando nessa verdade da empresa
brasileira. Não temos critérios
de avaliação sistemática
sobre a satisfação do cliente para
incentivar nossos vendedores. Como nossos critérios
são quantitativos fica muito mais fácil
cobrarmos de nosso pessoal a entrada de "novos
clientes" do que a manutenção
dos atuais.
Trabalhando com um grupo de vendedores e gerentes
de venda de várias empresas distribuidoras
e atacadistas verifiquei igualmente que são
feitas poucas análises do "potencial" dos
atuais clientes. Com isso quero dizer que são
poucas as empresas que se dedicam a um estudo
individualizado de cada cliente para saber o
quanto mais ele poderia comprar. Podem ser contadas
nos dedos de uma mão as que prestam uma
verdadeira "consultoria" aos seus clientes
ensinando-os como vender mais seus próprios
produtos criando assim oportunidades para o aumento
do portfólio ou do volume de compra dos
atuais produtos ali colocados. Da mesma forma
as empresas não têm o hábito
de trabalhar com seus clientes os aspectos de
precificação e margem dos seus
próprios produtos, o que faria com que
seus produtos tivessem maior giro naquele ponto
de venda.
A verdade é que as empresas precisam compreender
que hoje, vender é mais cérebro
do que músculos e que se não fizermos
uma verdadeira análise one-to-one de nossos
clientes ficaremos sempre à busca de novos
e perdendo os atuais.
Numa conversa franca que tivemos com mais de
50 varejistas, eles nos disseram com toda a clareza
que são raríssimas as empresas
fornecedoras que realmente prestam um verdadeiro
serviço de assessoramento na venda de
seus próprios produtos. Eles nos afirmaram
que os vendedores são mal treinados, pouco
conhecem dos produtos que vendem e quase nada
sobre o mercado em que atuam.
Assim, fica claro porque os vendedores buscam
novos clientes – é mais fácil
do que "estudar os atuais" para poder
prestar-lhes um bom serviço e expandir
as vendas. O ato de "buscar incessantemente
novos clientes" funciona até como
um "aplacador de consciência" para
o vendedor que sente-se "trabalhando" em
busca do aumento das vendas e assim justifica
para si próprio e para sua empresa o seu
trabalho e sua vida profissional.
Com o aumento da concorrência, globalização,
meios de comunicação e informação
mais disponíveis, vender ficou mais difícil.
Trata-se agora de uma verdadeira "ciência" que
exige uma qualificação antes não
exigida do vendedor e principalmente dos supervisores
e gerentes de venda.
Fazer uma análise e um verdadeiro estudo
criterioso de cada cliente, seu passado, seu
presente e seu futuro é essencial para
o sucesso hoje. A empresa fornecedora não
pode esperar que o seu cliente – varejista – entenda
dos produtos todos que tem à venda. Hoje
o varejista precisa de um verdadeiro apoio comercial
eficaz e de resultados para poder vencer a concorrência.
Assim, em vez de dar todo o esforço na
busca e conquista de novos clientes, a empresa
deve trabalhar seriamente cada um de seus atuais
clientes para mantê-los e para fazê-los
aumentar seus pedidos e comprar todo o portifólio
disponível.
Lembre-se de uma grande e simples verdade: Cliente é aquele
que já compra de mim! Cuidado! Vejo empresas
fazendo todo o esforço com a mão
direita para conquistar novos clientes enquanto
com a mão esquerda estão perdendo
seus atuais clientes. E todas as pesquisas provam
que manter um cliente é, no mínimo
20 vezes mais barato e fácil do que conquistar
um novo cliente.
Pense nisso. Não estaremos nós
também cometendo este erro?
ATENÇÃO
Para divulgar este artigo,
mantenha a autoria do Prof Marins.
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